Fiquei muito tempo sem saber se esta peça estava terminada.
Há dias em que olho para ela e penso que falta algo nos cantos, e noutros em que me parece perfeita assim: simples, discreta e quase silenciosa.
O centro é dominado por uma pequena carapaça azulada, diferente de todas as que já encontrei. Não sei ao certo o que é, mas gosto desse mistério.
À sua volta, misturam-se algumas das minhas maiores obsessões de praia: as pedrinhas escuras, finas e lisas, que parecem pequenas tiras de carvão polido; as conchas-moeda, frágeis e raras; e, a criar uma moldura natural, as conchas mais comuns da ria de Aveiro, tão familiares e reconfortantes como o som das ondas que as devolvem.
É uma peça sobre o equilíbrio entre o que se sabe e o que se aceita não saber — sobre a beleza calma de deixar o mar falar por si.
Feita sobre tela com caixilharia em madeira, revestida com gesso, pintada à mão em tom azul suave e envernizada, com 20x20 cm.
Pode ser exposta sozinha ou com moldura personalizada, disponível por encomenda.

